A constante ameaça ao rio Araguaia e os cuidados que cabem a nós, turistas

Da primeira vez que acampei no Rio Araguaia, me veio uma certeza: viver a natureza, tão de perto assim, transforma a gente em pessoas melhores. Já andei por muitos lugares incríveis, mas aquela sensação nunca foi tão forte.

Isso aconteceu numa época em que não se falava em desastre ambiental na região. Desastre que vem sendo acelerado ano a ano, por captação de água e desmatamento para agricultura e criação de gado em áreas protegidas. Também não havia proliferação de pousadas, o que anda superlotando alguns trechos do rio.  Quer dizer, superlotava até 2019, já que nos dois últimos anos, por causa da pandemia, o governo goiano cancelou as atividades de lazer e turismo no rio e afluentes, que levassem à aglomeração.  

A primaveira chegou e, com ela, o Araguaia volta a se avolumar (o período das águas vai até o fim de maio). Mas o que se viu na estiagem deste ano redobra o alerta sobre o que acontece com o rio de mais de 2 mil quilômetros, que banha Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Trata-se de uma das maiores secas dos últimos 40 anos, dizem moradores e estudiosos. 

Afluentes como o Pintado, Crixá-Mirim, Crixá-Açu, Cavalo Queimado, quase secaram. O Rio Vermelho, que passa dentro da cidade de Goiás (terra de Cora Coralina), virou um filete de água. A seca também ameaça Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, formada por uma bifurcação do Araguaia. 

No setor de turismo, há alguns anos, foram tomadas algumas medidas para reduzir os danos à natureza. Hoje, os ranchos (cabanas construídas às margens do rio durante a estiagem) não podem ser feitos de madeira nativa. Os ribeirinhos agora usam itens recicláveis, como bambu e PVC E, antes de o rio voltar a encher, o material tem de ser retirado dali.  

Dito isso, melhor lembrar ao menos como nós, turistas, devemos agir, segundo projeto de educação ambiental já traçado para os visitantes do Araguaia:

* não pescar sem licença ambiental

* não usar madeira nativa

* não caçar

* fazer banheiros a pelo menos 30 metros da margem

* não soltar fogos

* e, claro, levar todo seu lixo sólido embora.   


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