O frio nos EUA

Mortes provocadas pela tempestade de neve no país poderiam ser evitadas

A tempestade de neve que assolou os EUA entre os dias 15 e 19 de fevereiro acendeu um sinal de alerta em todo o mundo. Afinal, a massa de ar polar que escapou dos Canadá e chegou até o norte do México seria um fenômeno natural, que acontece de tempos em tempos, ou um efeito do aquecimento global?

Embora as opiniões sejam divergentes, especialistas em meteorologia como John Schwartz, do jornal The New York Times, sustentam a tese de que o calor em excesso vem provocando muita umidade nas camadas de ar mais altas da Terra, o que facilitaria a incidência de deslocamentos de frentes frias e nevascas até lugares pouco habituados a invernos rígidos.

Entre os estados americanos que mais sofreram com as temperaturas baixas está o Texas. Curiosamente, um dos maiores produtores de energia do planeta viu seus habitantes ficarem sem eletricidade por horas (em alguns casos, dias). Poços congelaram, canos trincaram e estações de abastecimento paralisaram as operações por falta de luz, o que levou milhares de pessoas a sofrer com falta de água.

Dezenas de pessoas morreram. Algumas de frio, outras atingidas por explosões de aquecedores portáteis ou geradores – e até mesmo asfixiadas por monóxido de carbono ao, de forma desesperada, ligar os carros para aumentar a temperatura de casa a partir da garagem. Isso sem contar os animais, de rua ou domésticos, que não estão habituados a ambientes congelantes.

Um pouco mais ao noroeste, regiões como Arkansas registraram temperaturas de -26℃ (para efeito de comparação, um freezer costuma ficar em -18℃) em cidades cuja média no pico do inverno, em janeiro, gira entre -1℃ e 4℃. Campanhas foram realizadas para deixar as casas mais frias, sem abuso dos aquecedores de ar. O uso de menos eletricidade de forma geral, a manutenção de persianas e cortinas fechadas para que o ar frio não passasse pelas janelas, o gotejamento da água de torneiras para os canos não congelassem e o distanciamento das estradas escorregadias figuraram entre as medidas solicitadas à população.

Muitos cumpriram, mas a maioria, não. Ou o fizeram de forma pouco sustentável, sem se preocupar em armazenar as águas liberadas pelas torneiras, por exemplo.

Prevenção

Diante desse cenário, é preciso colocar em análise que o frio só foi tão mortal em algumas regiões americanas porque elas não estavam, basicamente, preparadas – o que dá para entender até a segunda página. Temperaturas extremas ocorrem em diversos lugares habitados do mundo, como Rússia, Canadá, Finlândia, Noruega e o próprio norte dos EUA, sem que ocorra tanto alarde.  Ao sul da terra do Tio Sam, porém, fenômenos como esses são incomuns.

Na prática, não havia carros para limpar as ruas e evitar acidentes automotivos. Tampouco estrutura de calefação e reserva produtiva nas redes de abastecimento. Como resultado, escolas, comércios, indústrias e escritórios tiveram de fechar as portas. Até mesmo hospitais passaram a atender apenas emergências.

E é aí que o Texas volta a servir de exemplo. Os motivos listados acima explicam muito sobre o que ocorreu por lá, mas o fato de o governo local sustentar, há anos, o uso de combustíveis fósseis para produzir energia parece ser algo ainda mais significativo. 

Especialistas apontam que é preciso cortar o mal pela raiz. Enquanto isso não ocorre, diriam os comentaristas de internet, a natureza começa a cobrar o seu preço. O problema é que ele é alto demais e, ao que tudo indica, não deve se limitar às fronteiras americanas. Como lugares como o Brasil, por exemplo, reagiriam a uma nevasca daqui alguns anos?

Quem não quiser pagar para ver precisa agir. Cobrando atitudes governamentais, evidentemente, mas também fazendo a lição de casa. Quem poupa energia hoje evita mortes amanhã.

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